Mais um dia eleitoral em que o povo é chamado ás urnas... a faltarem 3h para as urnas fecharem cumpre fazer alguma reflexão.
Não aquela reflexão desesperada de boca de urna, nem de militante aflito que á ultima hora ainda tenta cacicar um ou outro voto...Não!Naturalmente não se trata disso. O bem aqui em causa é muito maior, e deve fazer-nos parar para pensar.
2008 e ate ao momento 2009, tem sido anos difíceis e complicados. Os portugueses finalmente entenderam o problema da conjectura mundial...e infelizmente da pior forma...todos os dias dezenas de portugueses perdem o seu emprego...e todos nós sabemos o que isso significa.
Ter um emprego é não só uma forma de assegurar o sustento da família e o seu próprio sustento, mas também a garantia de assegurar que todos os seus compromissos são assegurados, nomeadamente o pagamento dos créditos, que desesperadamente muitos portugueses contraíram.
Mas ficar numa situação de desemprego, leva-nos ainda, em ultima instância a casos mais problematicos...como a perda da habitação e a pobreza extrema...é isto que os portugueses sentem na carteira...e sentem nas suas vidas.
A busca da segurança no emprego, na habitação. A luta contra a precariedade social, deve ser, sem dúvida alguma a essência de todo e qualquer governo.
A historia está a provar que o modelo capitalista não é a solução. George Orwel, no seu "1984" já fazia essa antevisao...num universo imaginário, que parece estar agora, novamente a acontecer...
Deste modo, não me parece solução continuar a apostar-se num modelo que não assegura aquilo que de mais precioso a população tem: a segurança de saber que, independentemente das crises económicas, o Estado, cumpre a sua missão e assegura a segurança social e a reforma daqueles que tiveram uma vasta vida activa. Mas assegura também, aqueles que vitimas da conjectura, viram as suas empresas a fecharem e a ficarem numa difícil situação de desemprego.
E é por isso, que jamais poderia modificar o meu voto, ora para uma direita selvagem, ora para uma extrema esquerda utópica, sem ideias e demagoga.
E é também por isso, que continuo ao lado daqueles que tomaram a decisão de fazermos parte de um Portugal maior, um Portugal Europeu. A Europa tem de dar resposta a todas estas questões. É missão dos eurodeputados portugueses darem voz a estas questões numa Europa, dita por muitos em crise...
Há muito que os partidos socialistas, social-democratas e trabalhistas têm alertado para as consequências económica e socialmente negativas de uma globalização com fracos mecanismos de regulação e para a ausência de uma reforma das instituições económicas internacionais, que haviam sido criadas num contexto radicalmente diferente.
Conscientes de que a concretização desta orientação não depende apenas das políticas públicas nacionais, mas sim de uma vontade global. Como afirmava António Guterres, no Congresso da Internacional Socialista, em 1996, “uma globalização não regulamentada significa necessariamente a globalização da pobreza e da exclusão social, bem como o nivelamento dos direitos sociais pelos níveis mais baixos”. Mais, “a globalização da economia mundial enfraqueceu a capacidade dos governos eleitos de fazer isoladamente frente a manipulações monetárias especulativas, à evasão fiscal e ao branqueamento de capitais. Precisamos de melhores mecanismos de coordenação internacionais”.
E é por isso que a minha voz continua ao lado do socialismo democrático, pelo compromisso irrenunciável com a liberdade política e a defesa de uma relação equilibrada entre mercado – como instrumento privilegiado para a coordenação dos factores produtivos – e Estado – como instituição estratégica para a garantia do interesse comum.
O Partido Socialista é, verdadeiramente, o partido da Europa, o partido do grande projecto europeu. Foi com Mário Soares que Portugal pediu e concretizou a adesão à União Europeia. Foi com António Guterres que Portugal conseguiu a adesão ao Euro e a Europa ganhou a Estratégia de Lisboa. Foi com José Sócrates e com o reconhecido sucesso da última Presidência Portuguesa, que o Tratado de Lisboa se tornou o novo alicerce de toda a construção europeia.
O ideal europeu sempre constituiu uma marca na identidade do PS – mas sempre constituiu também uma fronteira de demarcação, em particular face às forças políticas à nossa esquerda, seja da esquerda comunista, seja da extrema-esquerda. Também aqui, esses “partidos de protesto” preferiram sempre ficar à margem e nunca quiseram verdadeiramente contribuir para a construção do projecto europeu, com tudo o que ele representa como projecto de paz, de prosperidade, de qualidade de vida e de igualdade de oportunidades para Portugal e para os povos da Europa. Não é possível disfarçar estas diferenças: os portugueses devem votar nas próximas eleições europeias com perfeita consciência de quem é que na esquerda está seriamente empenhado na Europa, para fazer avançar o projecto europeu e quem é que na esquerda está apenas emboscado na Europa, para sistematicamente combater qualquer avanço, mínimo que seja, do projecto europeu.
Aquilo que está á nossa frente, nem sempre é fácil de ser visto.
Muitos podem olhar mas não vêem.
E das analises feitas (note-se o caso Holandês, onde o perigo da extrema-direita, teve resultados incríveis), a população nem sempre entende o quão difícil é tomar decisões, ainda mais quando essas decisões afectam 10 milhões de habitantes.
Já imaginou como seria?
Um dia na pele de primeiro/a ministro/a?
Acredite. Não ia ser fácil.
Contudo, quando a conjectura interna não é favorável, o povo tem a tendência de usar o voto, como arma de protesto. Não votar PS nas Europeias, é igual a passar um cartão vermelho ao governo a nível interno.
Aqui está o elixir da confusão...
E confusão em grande parte feita por culpa dos partidos, e aqui ninguém é inocente.
De facto, quem quer ouvir falar de Europa?
Em campanha ás Europeias as manchetes de jornais são tudo e mais alguma coisa...mas raramente a tinta correu para a mensagem da Europa.
E naturalmente isto é um ciclo vicioso.
O projecto Europeu,para ser identificado pelos eleitores tem de ser explicado.
Deve ser entendido. Coisa que não aconteceu...
Apesar dos apelos do Sr. Presidente da República, parece-me a mim (humildemente a mim...) que a taxa de abstenção mais uma vez vai ser elevada.
E vamos ver...
O meu coração e o meu lado racional estão sem dúvida com Vital Moreira...mas....
by: Mara Lagriminha
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