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José Luís Peixoto... um nome já bem conhecido e aclamado do nosso meio literário.

Confesso que com este autor, não posso falar num amor á primeira vista. Aliás, penso que o encantamento vem todo desse leve facto...ele não dá tudo a conhecer numa primeira leitura e é exigente com as palavras e ardiloso com o entendimento do leitor. No fundo, queria porque queria alimentar este amor que poderia nem vir a nascer. Nas leituras como nos relacionamentos é necessária alguma paciência e perseverança...não podemos querer começar pelo fim, quando ainda estamos no principio.

Assim foi comigo e com o José Luís Peixoto. Diga-se pois claro, com a escrita do José Luís Peixoto.
"Cal" caiu inesperadamente na minha mão, daqueles presentes que nos chegam sem aviso, sem existir nenhuma data em concreto...mas que nos deixam com um brilhozinho nos olhos e com o ego levantado por se terem lembrado de nós. Acredito que sim!!!!

Venham mais dessas surpresas! E que surpresa! Este foi o primeiro encontro. E decerto que os primeiros encontros são também os mais difíceis...entre uma pagina e outra...algo me faltava...pensei para comigo mesma..."deve ser do meu estado de espírito...não me consigo concentrar..." a leitura de alguns parágrafos arrepiava-me. Sinceramente, juro que estou a falar a serio.

O que eu não conseguia era separar a minha sensibilidade da leitura...do corpo do próprio autor. Algum sentido de inferioridade me enchia a mente...certo é que "Cal" exige alguma maturidade de pensamento, entre poemas, contos e uma peça de teatro, a preparação intelectual não era fácil!

Encerrei...8 dias depois olhei para a minha estante e lá estava ele... com ar provocante... como se me piscasse o olho a desafiar-me...não pude resistir...mais uma vez caí em tentação. Digamos que não foi tiro e queda, reconheci o suficiente para querer ler mais! e adquiri a restante obra do autor...passo a passo... sem pressões. E quando dei por mim, num segundo olhar...ou melhor em "Nenhum Olhar" apaixonei-me completamente. Passei a admira-lo e a entende-lo! Com a mente mais aberta sem ideias preconcebidas. Sim! Agora sim...posso dizê-lo, ele é fabuloso e merece o reconhecimento que tem vindo a ter.

Mas o amor verdadeiro viria de facto, naquela que fora a sua primeira obra: "Morreste-me". Para mim, na minha humilde opinião, ate agora a obra prima do autor.

Mas já que foi em "Nenhum Olhar" que a admiração nasceu, por vezes dou por mim de olhar perdido e

"Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez nós não andemos debaixo do céu mas em cima dele"
in "Nenhum Olhar" José Luís Peixoto.

by: Mara Lagriminha

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