
“…Boris Fausto cita as festas de sociedade, onde as pessoas não conversam: vão disparando frases, tentando vencer a resistência do alarido. Vou mais longe: a cultura do ruído surgiu e instalou-se, precisamente, para esconder a vacuidade das pessoas. Para esconder, no fundo, como os seres humanos se tornam desinteressantes. Nada para dizer. Nada para escutar. Ás vezes, o ruído em volta é até um alívio (para eles) e uma benesse (para nós)”. (excerto de Avenida Paulista, by Joao Pereira Coutinho)
Nunca se sentiram sós no meu de uma multidão???
Esta pergunta assola-me a mente...sussurra baixinho e depois eleva o tom...cada vez mais me questiono acerca deste vácuo da sociedade. Absorvo cada instante em que estou sozinha...porquê??? É tão raro conseguirmos ouvirmo-nos a nós mesmos. Vivemos por força das circunstâncias rodeados de pessoas que na maioria não nos dizem nada.
E brindamos...Valha-nos o copo na mão, para passar tempo...para fingirmos que está tudo bem...venham os apertos de mão e o como tem passado, há muito tempo que não a vejo? E os sorrisos como que desculpa do nosso descontentamento.
Acende-se o cigarro e dispersam os pensamentos no fumo que ora inalamos ora expiramos. Depois o tique tradicional, telemóvel para a mão, e rascunhar uma qualquer mensagem para uma qualquer pessoa. Só para nos ocupar a mente. «Como os seres humanos se tornaram desinteressantes...» Será????
Sempre fui amante das multidões. E sempre gostei ainda mais de as observar. De avaliar como nos movimentamos em grupo. Decerto que elaborei milhares de teses e muitas delas tornaram-se verdadeiros doutoramentos behavioristas.
Que estupidez...logo eu que nunca defendi o comportamento mecanicista do ser humano e aquela teoria horrível de que o meio não só nos condiciona mas também nos molda àquilo que nós somos e nos tornamos. Sempre contestei. Porque sempre acreditei no ser humano. E a historia não me deixa mentir...mas também não me deixa fugir completamente de assumir de que o meio não é absoluto, mas tem um papel importante.
E a música toca e leva-me para outro mundo. De repente já não estou no meio de algo que sempre detestei, mas o dever obriga...todo o conservadorismo sempre me assustou. Mais! Sempre me repugnou!!! Quantas vezes desejamos fugir...escondermo-nos do mundo!!! Admito!!! Eu faço parte desse clube.
Há momentos na vida em que temos de tomar decisões, decisões que modificam completamente a nossa forma de estar e o nosso circulo de influencia. Não é fácil. Cria tantas desavenças interiores...que as palavras seriam modestas para conseguir expor tudo aquilo que essas decisões significam.
É preciso coragem para mudar.
E como um grande amigo dixit: para deixarmos de fazer fretes sociais.
Não me consigo contentar com a cultura do ruído. Amo o meu silencio. Amo as tardes de campo e os montes alentejanos. Amo as praias com pouca gente. Amo ver nascer o sol e contemplar a junção do céu com o mar. Amo andar nas nuvens, estar no meu mundinho.
Será egocentrismo??? Ou pura desilusao???
Não sei... sinceramente não sei...
O que sei, é que o maior tesouro é aquele que está dentro de nós. E os pormenores, as coisas simples são as que tem mais valor...
Porquê o ruído, porque o aceitamos como se já fizesse parte de nós???
Não tem de ser assim, e não deve ser assim.
Não sei... sinceramente não sei...
O que sei, é que o maior tesouro é aquele que está dentro de nós. E os pormenores, as coisas simples são as que tem mais valor...
Porquê o ruído, porque o aceitamos como se já fizesse parte de nós???
Não tem de ser assim, e não deve ser assim.
Acabou a bebida...fumei o cigarro...e a musica continua...
by: Mara Lagriminha
