sim!!! ainda faz diferença!! DIREITA, ESQUERDA E...OS OUTROS...

Entre olhos a piscar o inconsciente dos sonhos...aqui fica o mote para amanha...


«A origem da dicotomia política moderna (esquerda - direita) reflecte a transformação da divisão
espacial e simbólica numa divisão ideológica. A história é conhecida, mas merece ser recordada. Quando os Estados Gerais franceses decidem transformar-se em Assembleia Nacional Constituinte, ainda no ano de 1789, os deputados favoráveis ao veto legislativo do rei agrupam-se no lado direito da sala e aqueles que são contrários a essa prerrogativa real sentam-se do lado esquerdo. A divisão está criada e permanecerá em assembleias subsequentes. Mas a generalização do uso da dicotomia dá-se apenas durante as primeiras décadas do século XIX. É na França de 1815, com a Restauração da monarquia e o surgimento de um centro - e especialmente na sessão parlamentar de 1819-20 -, que direita e esquerda ficam mais claramente marcadas. Elas passam a corresponder, respectivamente, à velha e à nova França, aos ultra-realistas e aos liberais (para a génese e evolução da dicotomia em França, cf. Gauchet, 1992).

Mas o que é mais notável na dicotomia é a sua generalização a todos os modernos regimes constitucionais. À medida que o constitucionalismo liberaldemocrático cresce na Europa e no mundo, a dicotomia repete-se nos novos contextos. Por todo o lado existe uma direita e uma esquerda e em todo o lado é possível situar as diferentes forças políticas usando a dicotomia e as poucas variações que ela permite - o centro, o centro-direita, o centro-esquerda, os extremismos da esquerda e da direita.

Uma razão básica para a persistência da dicotomia pode estar na sua utilidade cognitiva. O espaço político dos regimes liberais-democráticos é plural. A divisão em direita e esquerda permite uma simplificação mental desse espaço e facilita a constituição de alternativas aos detentores do poder. Por isso a dicotomia é mais resistente do que as múltiplas e cambiantes designações de grupos, movimentos ou partidos.

Mas se a dicotomia é inseparável do pluralismo político, também é muitas vezes verdade que a sua negação está ligada a uma tentativa de superação do pluralismo democrático. Assim, é habitual que os inimigos da democracia, autoritários ou totalitários, insistam na sua des-identificação com a dicotomia e afirmem mesmo estar "para além da direita e da esquerda".
Porém, o mesmo tipo de linguagem de superação pode ser usado por aqueles que querem sobrevalorizar um qualquer centro e não propriamente negar o pluralismo político. Um exemplo
recente é a "terceira via" de Anthony Giddens, construída enquanto via média entre uma esquerda socialista e uma direita conservadora (cf. Giddens, 1994).»
Familiar não?????

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